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"De ontem em diante serei o que sou no instante agora Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas Separadas pelo canto de um galo velho." (De Ontem em Diante - O Teatro Mágico) Oz é acordado por uma garota de pele alva e longos cabelos negros. Ele a conhece. - Você. Está diferente. - Ainda sou a mesma que você conhece, mas ninguém nunca é o mesmo de segundos atrás, não é verdade? - A Morte. - Só uma palavra... Levante-se. É hora do fim. Olhou em volta. Estava numa caverna escura, com muito pouca luz. Ela indicou para que ele seguisse em frente e assim o fez. Viu-a sumir na curva do corredor. Andou até avistar um homem sentado numa pedra. Sentiu o vazio da caverna, mas ao mesmo tempo era como se estivesse comprimido, sob pressão, como se o ar fosse lhe faltar a qualquer momento. - Olá? - tentou chamar a atenção do homem sentado. Surpreendeu-se ao perceber que era um palhaço de expressão triste, comum aos palhaços. Sentiu frio quando o palhaço lhe dirigiu a palavra, em tom pesado e fúnebre. - Até que enfim, desistiu de fugir e chegou ao seu maior limiar, caro mago. - Você... Quem... - Eu? Poderia ser só um palhaço numa caverna escura - e de fato sou - mas muitos me temem como crianças que não dormem com as luzes apagadas. Por isso, me chamam de O Escuro. Como se todos não tivessem uma parte sombria em suas almas... Oz queria acreditar. - Você? Você é O Escuro, que me foi dito como o maior inimigo que eu enfrentaria? Que eu deveria temer mais do que qualquer outra coisa? - Eu sou nada mais do que uma parte de você. A parte que reflete seu mais profundo ser, o que você se tornou. Essa não é minha forma, é a sua essência. - Um palhaço triste? - Um sonhador com propósitos nobres que desviou de seu caminho. Nada mais sou que o resultado de suas três décadas de uma pseudo-existência, e das décadas que virão. A conseqüência da vida medíocre que tem vivido. O passado, o presente e o futuro morto nos trouxeram - eu e você - até aqui. - Tudo viagem da minha cabeça... - Isso é verdade. E eu te pergunto: pra quê? Você abriu mão de quem você era para tentar ser quem? Seus pais nunca se agradaram, nenhuma mulher lhe deu um amor satisfatório, e pra quê? Perdeu mais de 10 anos de sua vida tentando ser normal e brigando consigo mesmo. Afastou-se de seu propósito, perdeu a poesia, o amor próprio, adormeceu o dom... Então criou esse "Oz", esse outro eu imaginário e suas aventuras fantásticas. Criou seu novo mundo em forma de blog, destruiu-o, numa jornada insana, fez outro, foi ao inferno, ficou louco, enfrentou a si mesmo em sua última saga, matou-se, enfrentou o Mal, ressuscitou com a ajuda de um anjo e uma bruxa e pra quê? Com que propósito? Voltou ao zero, como se o passado ainda não tivesse ocorrido, e pra quê? Oz sentiu-se paralisado e perplexo. Sentiu a alma escurecer-se e entristecer-se. - O tempo esta mudando rapidamente. Eu imagino quanto tempo resta... O relogio está fazendo tique-taque, o tempo está correndo. O ódio enche esta Terra. E para o que vale? Nós estamos no fim antes que nós soubéssemos... "You control your life, but don't forget your destiny..." - Eu... Eu... Eu me sinto tão solitário... - Sabemos como você é um menino velho, mas isso te faz você, não faz? Sabias palavras já disseram o quanto algumas pessoas vivem sentimentos mais intensamente para alcançar a criação. Você temeu as pessoas - e ainda teme - escondeu-se da vida e, quando a vida lhe tirou de seu canto, esqueceu de quem você era para tentar não ser diferente. Você é diferente! Todos são! Mas você sabe qual vida é a sua e qual não é... Não existe Oz, não existe Flávio... Você já foi apenas um uma vez, lembra-se? Você não é um perfil, não é livros que lê, os filmes que vê, nem as músicas que ouve. Você não é seus amigos, nem seu filho, nem seus amores. Você não é um número de documento, nem uma profissão. Você não é um tipo de roupa e cabelo. Você não é uma história... Esqueça tudo! Esqueça as regras, esqueça os medos, as dúvidas, as incertezas. São ilusões. Não pense no passado, nem no futuro. Pense no agora. Viva o agora. Você morreu, caro ser pensante de alma melancólica. Está morto a muito tempo. A muito mais tempo do que imagina... Está na hora de renascer. Não ressuscite, renasça! Não seja o mesmo chá num copo diferente, seja outra coisa. Um vinho, uma folha, um homem. Tome posse de sua vida, arrebate-a! A vida é viver, não um ensaio psico-filosófico. Seja quem você é! Viva, relaxe, não pense... E Oz fechou o olhos e chorou, chorou muito. Quando parou, sentiu calma e então algo começou a queimar por dentro. Havia chegado a hora de seu verdadeiro despertar, finalmente! Mordenkai surpreendeu-se ao ver as cinzas dos cinco Ozes queimar do nada e dela surgir um novo ser, um novo Oz, que tinha a forma de um pensamento, uma idéia, um suspiro. - Eu prometi, oito meses atrás, a começar a vida do zero. Agora não prometo nada... E piscou, serenamente, e viu Mordenkai e todos os demônios que lhe assombravam esconderem-se de medo. Estava vivo, como nunca estivera... ...e é o fim dos fins.
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*melhor visualizado com resolução 1024 x 768 ou superior. ![]() PerfilDead Oz é um zumbi filósofo alienado, como tantos outros que vagam pela Terra, à procura da ressurreição, comendo, bebendo, trabalhando, perambulando entre pingüins e tendo a energia drenada por alieníginas conspiradores pela Internet. Um maluco tentando recuperar um pouco da fantasia que todo mundo parece ter perdido... + Oz
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