terça-feira, 15 de maio de 2007

Lithium (The Wizard)

"De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho."
(De Ontem em Diante - O Teatro Mágico)

Oz é acordado por uma garota de pele alva e longos cabelos negros. Ele a conhece.
- Você. Está diferente.
- Ainda sou a mesma que você conhece, mas ninguém nunca é o mesmo de segundos atrás, não é verdade?
- A Morte.
- Só uma palavra... Levante-se. É hora do fim.
Olhou em volta. Estava numa caverna escura, com muito pouca luz. Ela indicou para que ele seguisse em frente e assim o fez. Viu-a sumir na curva do corredor. Andou até avistar um homem sentado numa pedra. Sentiu o vazio da caverna, mas ao mesmo tempo era como se estivesse comprimido, sob pressão, como se o ar fosse lhe faltar a qualquer momento.
- Olá? - tentou chamar a atenção do homem sentado.
Surpreendeu-se ao perceber que era um palhaço de expressão triste, comum aos palhaços. Sentiu frio quando o palhaço lhe dirigiu a palavra, em tom pesado e fúnebre.
- Até que enfim, desistiu de fugir e chegou ao seu maior limiar, caro mago.
- Você... Quem...
- Eu? Poderia ser só um palhaço numa caverna escura - e de fato sou - mas muitos me temem como crianças que não dormem com as luzes apagadas. Por isso, me chamam de O Escuro. Como se todos não tivessem uma parte sombria em suas almas...
Oz queria acreditar.
- Você? Você é O Escuro, que me foi dito como o maior inimigo que eu enfrentaria? Que eu deveria temer mais do que qualquer outra coisa?
- Eu sou nada mais do que uma parte de você. A parte que reflete seu mais profundo ser, o que você se tornou. Essa não é minha forma, é a sua essência.
- Um palhaço triste?
- Um sonhador com propósitos nobres que desviou de seu caminho. Nada mais sou que o resultado de suas três décadas de uma pseudo-existência, e das décadas que virão. A conseqüência da vida medíocre que tem vivido. O passado, o presente e o futuro morto nos trouxeram - eu e você - até aqui.
- Tudo viagem da minha cabeça...
- Isso é verdade. E eu te pergunto: pra quê? Você abriu mão de quem você era para tentar ser quem? Seus pais nunca se agradaram, nenhuma mulher lhe deu um amor satisfatório, e pra quê? Perdeu mais de 10 anos de sua vida tentando ser normal e brigando consigo mesmo. Afastou-se de seu propósito, perdeu a poesia, o amor próprio, adormeceu o dom... Então criou esse "Oz", esse outro eu imaginário e suas aventuras fantásticas. Criou seu novo mundo em forma de blog, destruiu-o, numa jornada insana, fez outro, foi ao inferno, ficou louco, enfrentou a si mesmo em sua última saga, matou-se, enfrentou o Mal, ressuscitou com a ajuda de um anjo e uma bruxa e pra quê? Com que propósito? Voltou ao zero, como se o passado ainda não tivesse ocorrido, e pra quê?
Oz sentiu-se paralisado e perplexo. Sentiu a alma escurecer-se e entristecer-se.
- O tempo esta mudando rapidamente. Eu imagino quanto tempo resta... O relogio está fazendo tique-taque, o tempo está correndo. O ódio enche esta Terra. E para o que vale? Nós estamos no fim antes que nós soubéssemos... "You control your life, but don't forget your destiny..."
- Eu... Eu... Eu me sinto tão solitário...
- Sabemos como você é um menino velho, mas isso te faz você, não faz? Sabias palavras já disseram o quanto algumas pessoas vivem sentimentos mais intensamente para alcançar a criação. Você temeu as pessoas - e ainda teme - escondeu-se da vida e, quando a vida lhe tirou de seu canto, esqueceu de quem você era para tentar não ser diferente. Você é diferente! Todos são! Mas você sabe qual vida é a sua e qual não é... Não existe Oz, não existe Flávio... Você já foi apenas um uma vez, lembra-se? Você não é um perfil, não é livros que lê, os filmes que vê, nem as músicas que ouve. Você não é seus amigos, nem seu filho, nem seus amores. Você não é um número de documento, nem uma profissão. Você não é um tipo de roupa e cabelo. Você não é uma história... Esqueça tudo! Esqueça as regras, esqueça os medos, as dúvidas, as incertezas. São ilusões. Não pense no passado, nem no futuro. Pense no agora. Viva o agora. Você morreu, caro ser pensante de alma melancólica. Está morto a muito tempo. A muito mais tempo do que imagina... Está na hora de renascer. Não ressuscite, renasça! Não seja o mesmo chá num copo diferente, seja outra coisa. Um vinho, uma folha, um homem. Tome posse de sua vida, arrebate-a! A vida é viver, não um ensaio psico-filosófico. Seja quem você é! Viva, relaxe, não pense...
E Oz fechou o olhos e chorou, chorou muito. Quando parou, sentiu calma e então algo começou a queimar por dentro. Havia chegado a hora de seu verdadeiro despertar, finalmente!

Mordenkai surpreendeu-se ao ver as cinzas dos cinco Ozes queimar do nada e dela surgir um novo ser, um novo Oz, que tinha a forma de um pensamento, uma idéia, um suspiro.
- Eu prometi, oito meses atrás, a começar a vida do zero. Agora não prometo nada...
E piscou, serenamente, e viu Mordenkai e todos os demônios que lhe assombravam esconderem-se de medo.
Estava vivo, como nunca estivera...





...e é o fim dos fins.

postado por Oz (The Dead) às 10:36 AM





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Perfil

Dead Oz é um zumbi filósofo alienado, como tantos outros que vagam pela Terra, à procura da ressurreição, comendo, bebendo, trabalhando, perambulando entre pingüins e tendo a energia drenada por alieníginas conspiradores pela Internet. Um maluco tentando recuperar um pouco da fantasia que todo mundo parece ter perdido...



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"Sitting on a park bench
Eyeing little girls with bad intent.
Snot is running down his nose
Greasy fingers smearing shabby clothes.
Hey aqualung!
Drying in the cold sun
Watching as the frilly panties run.
Hey aqualung!
Feeling like a dead duck
Spitting out pieces of his broken luck.

Sun streaking cold
An old man wandering lonely.
Taking time
The only way he knows.
Leg hurting bad,
As he bends to pick a dog-end
Goes down to the park and
Warms his feet.
Feeling alone
The army's up the road
Salvation a la mode and
A cup of tea.
Aqualung my friend
Don't ya start away uneasy
You poor old sod
You see it's only me.

Do you still remember
December's foggy freeze
And the ice that clings on to your beard
Is screaming agony
And you snatch your rattling last breaths
With deep-sea diver sounds,
And the flowers bloom like
Madness in the spring."