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*aviso: bebi café demais hoje! =P "Pois o seu escolher implica outros valores: A salvação, a sanidade de todo o seu reino e assim seu escolher é limitado pela voz e o aquiescer desse outro corpo de que ele é a cabeça" (Hamlet - William Shakespeare) F. cochilou, sem saber que teria uma noite de muitos sonhos intranqüilos. O garoto parecia assustado, mas determinado. Olhou onde estava e viu-se num corredor de mato pisado, como se uma enorme serpente houvesse passado por ali. Na sua frente, o escuro. Manteve seu corpo frágil de pé e preparou-se. Podia ouvir seu mestre ao fundo. - Lembre-se, é só um dragão. - Mas o senhor disse que o dragão negro representava meu medo do que é maior do que eu... - disse o garoto, virando-se para o velho com seus óculos escorrendo pelo nariz. Já vinha sendo guiado por ele a muito tempo, desde os tempos em que o velho era mais um dragão vermelho do que simplesmente um velho. Lembrou que certa vez perguntou quem ele era, de onde veio, e tudo que ouviu foi "sou só um homem de vidro num mundo de porcelana e alumínio". Odiava quando ele falava em enigmas. Mas não conseguia mais imaginar como tudo teria sido sem sua orientação. Ouviu um estrondo. Voltou-se para o corredor. "O Escuro", pensou. Não era o Escuro, nem o Nada. Era somente o dragão negro. Seu medo dos medos. - Lembre-se, garoto. É só um dragão. Viu surgir diante de sim olhos vermelhos seguidos de um enorme ser de pele ônix. O bicho levantou-se e pairou sobre ele, bufando. Flávio viu-se numa mata avermelhada e seca, diante da velha casa de madeira. "Estou aqui. Não estou?" - questionou-se. Viu quando ela começou a aparecer no meio da mata. Uma bruxa em longos vestidos negros, com longos cabelos negros. Sentiu-se frio e quente enquanto ela se aproximava. Sentiu-se num limiar. Ouviu vozes ao fundo. "Magia se manipula. O espírito não." O que era aquilo? De onde vinha? Pensou se a adolescência estava lhe enlouquecendo. Seus cabelos compridos caíram sobre os olhos quando olhou para o chão úmido coberto de folhas secas para ver se não estava voando novamente. Olhou para a bruxa. Val. Ela. Sentiu ela murmurando palavras de feitiço. Oz tentou rir, mas não conseguiu. Não era todo dia que pisava por tijolos amarelos. Pensou no que haveria depois do arco-íris, mas antes que pirasse viu as belas árvores tornarem-se um sangue preto que escorria pelo cenário lúdico. A estrada se dividiu em dois caminhos, e pode ver um velho sentado numa cadeira numa delas. Em seu colo, o livro. Percebeu quem ela era e sorriu. - Morra, para renascer. - ele disse. Oz olhou para o outro lado e viu um outro velho se aproximando. Parecia uma espécie de rei, de líder de algum lugar. - Venha para Esmeralda. Poderemos ser dois com o mesmo nome reinando ali. Renda-se a cidade e ao seu esplendor. Aceite e seja mais um de nós. - Esmeralda? Não seria somente um vidro verde? O semblante do velho mudou. Se irritou. F. viu-se no topo de uma enorme plataforma. Lá embaixo deslumbrava um exército de robôs matando pessoas. Percebeu que estava sangrando e que seu sangue borbulhava. tentou chorar, mas seus olhos se voltaram para o centro da batalha, onde uma mulher e um pequeno bebê estavam cercados por máquinas assassinas. Pensou em intervir, mas soube que não deveria fazer nada. A criança fechou os olhos e então uma explosão de luz, cegando e queimando tudo à sua volta. Sentiu-se queimando e virando cinzas. - Morrer para renascer. - ouviu uma voz infantil dizendo. O garoto olhou bem nos olhos do dragão ônix enquanto ela preparava-se para o bote. Então, como se a serpente não esperasse por isso, o garoto golpeou o peito do animal com toda força, enfiando a mão dentro dele e puxando logo em seguida, trazendo entre seus dedos um enorme coração preto como piche. Olhou novamente para os olhos do dragão, que relutava em acreditar. - O coração do medo está em minhas mãos. O passado muda, o Escuro enfraquece... Você é só um dragão... Então, sem pestanejar, fechou a mão com toda força que um garoto em terras fantásticas pode ter. O coração espatifou-se e virou cinzas. O dragão queimou e sumiu, mas sua chama botou fogo na mata seca em volta. O garoto viu o velho sumir como fumaça depois de proferir palavras proféticas: - Esse é só o primeiro obstáculo, criança. A chama começou a consumir tudo à sua volta. A bruxa levantou seus braços para enfeitiçar, mas Flávio foi mais rápido, puxando de si um punhal e acertando o peito dela em cheio. Sem acreditar, ela caiu de joelhos, em agonia. - Mas... Estava escrito... - Estou reescrevendo, bruxa. E viu o passado cair morto pelo futuro. A bruxa estava morta. Oz desviou do cetro do velho que governava a cidade verde e estendeu a mão em direção a ele. O velho começou a pegar fogo, como mato verde que faz muita fumaça e intoxica o ar. - Oz mata o mágico. - disse o outro velho, sentado na cadeira. - Dorothy terá que encontrar outro jeito de voltar para casa... Oz ficou sem ar e viu tudo escurecer. Ambos caíram mortos no chão amarelo. O garoto não parecia se preocupar com as chamas. Deixou-se queimar. "Morrer para renascer", pensou. O jovem Flávio estranhamente sentiu-se morrendo quando viu a bruxa caída ao chão. Quis chorar, mas sabia que nada mais poderia ser feito. Ela estava morta. A explosão de luz incinerou os pensamentos de F. e ele despertou do sono. Precisava sair. Cine Marabá, 19hs. F. ainda não pensava em processo, nem em ser feliz. Apenas sabia que sua família era sua escolha. Trancou-se no quarto e pegou tudo que podia sobre ela. Botou tudo numa caixa e saiu. Foi até um terreno baldio, botou a caixa no chão e encharcou-a de querosene. Ateou fogo. Viu tudo queimar. Sentiu-se queimar. Era como se estivesse matando-a. "Morta. Agora ela está morta!" Chorou, como um amante num velório. Sentiu-se morrendo pela milésima vez. "Morrer para renascer", pensou. O velho parecia apenas observar o olhar de F. Estavam apenas os dois no cinema, mas F. não parecia disposto a expressar suas emoções. Havia decidido isso anos atrás. - Lembra dessa cena? - perguntou o velho, enquanto o maduro F. assistia a cena da cremação de sua velha vida na tela. - Eu a matei. Ela morreu. Essa vida não existe mais. - Já ouviu falar no mito da Fênix? Às vezes o que vai volta. Às vezes por que é assim que devem ser as coisas, às vezes por que queremos, às vezes por que precisamos... F. olhou para o velho, silenciosamente. - Você é do futuro, não é? - Isso importa? Olhou para a tela. - Isso é um chamado? - Só se chama quem ouve.
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*melhor visualizado com resolução 1024 x 768 ou superior. ![]() PerfilDead Oz é um zumbi filósofo alienado, como tantos outros que vagam pela Terra, à procura da ressurreição, comendo, bebendo, trabalhando, perambulando entre pingüins e tendo a energia drenada por alieníginas conspiradores pela Internet. Um maluco tentando recuperar um pouco da fantasia que todo mundo parece ter perdido... + Oz
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