sábado, 19 de maio de 2007

The End



Eu postei por 3 anos, 1 mês, 4 dias e 21 horas.

Estou um pouco cansado, acho q vou pra casa agora...

postado por Oz (The Dead) às 9:11 AM |

terça-feira, 15 de maio de 2007

Lithium (The Wizard)

"De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho."
(De Ontem em Diante - O Teatro Mágico)

Oz é acordado por uma garota de pele alva e longos cabelos negros. Ele a conhece.
- Você. Está diferente.
- Ainda sou a mesma que você conhece, mas ninguém nunca é o mesmo de segundos atrás, não é verdade?
- A Morte.
- Só uma palavra... Levante-se. É hora do fim.
Olhou em volta. Estava numa caverna escura, com muito pouca luz. Ela indicou para que ele seguisse em frente e assim o fez. Viu-a sumir na curva do corredor. Andou até avistar um homem sentado numa pedra. Sentiu o vazio da caverna, mas ao mesmo tempo era como se estivesse comprimido, sob pressão, como se o ar fosse lhe faltar a qualquer momento.
- Olá? - tentou chamar a atenção do homem sentado.
Surpreendeu-se ao perceber que era um palhaço de expressão triste, comum aos palhaços. Sentiu frio quando o palhaço lhe dirigiu a palavra, em tom pesado e fúnebre.
- Até que enfim, desistiu de fugir e chegou ao seu maior limiar, caro mago.
- Você... Quem...
- Eu? Poderia ser só um palhaço numa caverna escura - e de fato sou - mas muitos me temem como crianças que não dormem com as luzes apagadas. Por isso, me chamam de O Escuro. Como se todos não tivessem uma parte sombria em suas almas...
Oz queria acreditar.
- Você? Você é O Escuro, que me foi dito como o maior inimigo que eu enfrentaria? Que eu deveria temer mais do que qualquer outra coisa?
- Eu sou nada mais do que uma parte de você. A parte que reflete seu mais profundo ser, o que você se tornou. Essa não é minha forma, é a sua essência.
- Um palhaço triste?
- Um sonhador com propósitos nobres que desviou de seu caminho. Nada mais sou que o resultado de suas três décadas de uma pseudo-existência, e das décadas que virão. A conseqüência da vida medíocre que tem vivido. O passado, o presente e o futuro morto nos trouxeram - eu e você - até aqui.
- Tudo viagem da minha cabeça...
- Isso é verdade. E eu te pergunto: pra quê? Você abriu mão de quem você era para tentar ser quem? Seus pais nunca se agradaram, nenhuma mulher lhe deu um amor satisfatório, e pra quê? Perdeu mais de 10 anos de sua vida tentando ser normal e brigando consigo mesmo. Afastou-se de seu propósito, perdeu a poesia, o amor próprio, adormeceu o dom... Então criou esse "Oz", esse outro eu imaginário e suas aventuras fantásticas. Criou seu novo mundo em forma de blog, destruiu-o, numa jornada insana, fez outro, foi ao inferno, ficou louco, enfrentou a si mesmo em sua última saga, matou-se, enfrentou o Mal, ressuscitou com a ajuda de um anjo e uma bruxa e pra quê? Com que propósito? Voltou ao zero, como se o passado ainda não tivesse ocorrido, e pra quê?
Oz sentiu-se paralisado e perplexo. Sentiu a alma escurecer-se e entristecer-se.
- O tempo esta mudando rapidamente. Eu imagino quanto tempo resta... O relogio está fazendo tique-taque, o tempo está correndo. O ódio enche esta Terra. E para o que vale? Nós estamos no fim antes que nós soubéssemos... "You control your life, but don't forget your destiny..."
- Eu... Eu... Eu me sinto tão solitário...
- Sabemos como você é um menino velho, mas isso te faz você, não faz? Sabias palavras já disseram o quanto algumas pessoas vivem sentimentos mais intensamente para alcançar a criação. Você temeu as pessoas - e ainda teme - escondeu-se da vida e, quando a vida lhe tirou de seu canto, esqueceu de quem você era para tentar não ser diferente. Você é diferente! Todos são! Mas você sabe qual vida é a sua e qual não é... Não existe Oz, não existe Flávio... Você já foi apenas um uma vez, lembra-se? Você não é um perfil, não é livros que lê, os filmes que vê, nem as músicas que ouve. Você não é seus amigos, nem seu filho, nem seus amores. Você não é um número de documento, nem uma profissão. Você não é um tipo de roupa e cabelo. Você não é uma história... Esqueça tudo! Esqueça as regras, esqueça os medos, as dúvidas, as incertezas. São ilusões. Não pense no passado, nem no futuro. Pense no agora. Viva o agora. Você morreu, caro ser pensante de alma melancólica. Está morto a muito tempo. A muito mais tempo do que imagina... Está na hora de renascer. Não ressuscite, renasça! Não seja o mesmo chá num copo diferente, seja outra coisa. Um vinho, uma folha, um homem. Tome posse de sua vida, arrebate-a! A vida é viver, não um ensaio psico-filosófico. Seja quem você é! Viva, relaxe, não pense...
E Oz fechou o olhos e chorou, chorou muito. Quando parou, sentiu calma e então algo começou a queimar por dentro. Havia chegado a hora de seu verdadeiro despertar, finalmente!

Mordenkai surpreendeu-se ao ver as cinzas dos cinco Ozes queimar do nada e dela surgir um novo ser, um novo Oz, que tinha a forma de um pensamento, uma idéia, um suspiro.
- Eu prometi, oito meses atrás, a começar a vida do zero. Agora não prometo nada...
E piscou, serenamente, e viu Mordenkai e todos os demônios que lhe assombravam esconderem-se de medo.
Estava vivo, como nunca estivera...





...e é o fim dos fins.

postado por Oz (The Dead) às 10:36 AM |

sábado, 12 de maio de 2007

Phantom of the Opera

"Mesmo com todo seu poder, é um defeito do homem não poder escolher seu destino. Ele pode apenas escolher como reagirá quando o chamado do destino vier. Esperando que terá a coragem para responder a altura."
(Heroes - Ep. 02, Primeira Temporada)

Os cinco estavam numa espécie de vilarejo. Parecia um vilarejo japonês, de aparência medieval, porém meio destruído. Algum tipo de guerra parece ter havido ali. Era escuro e tudo estava muito silencioso.
- Onde estamos? - perguntou Oz.
- Não sabemos exatamente. - disse F. - Acho que numa espécie de limbo.
- Não é o Limbo. - ouviram uma voz.
Viraram-se e viram um garoto ao lado de uma garotinha. Ambos japoneses. O garoto aproximou-se da irmã, como se ela lhe cochichasse algo e então virou-se para Oz.
- Himiko, minha irmã, pediu para lhe dizer que este é o seu mundo de sonhos. Onde seus pensamentos tomam forma.
- O que houve por aqui? Por que está tudo destruído? - perguntou.
- O Escuro e o demônio. Eles destroem tudo que amamos. No seu futuro você já concluiu sua Jornada do Despertar aqui. Mas abandonou o sonho para tentar construí-lo na realidade. Então eles vieram...
- Está dizendo que estou no futuro?
- Não. Mas isso não importa.
Reparou que a garotinha trazia no colo um belo gato branco, com um medalhão vermelho na coleira. Ela parecia ouvi-lo. E então disse algo para seu irmão. Que se prestou a levantar-se e puxá-la consigo para que se escondessem, não sem antes dizer:
- Ele está voltando. O demônio. Vamos para o palácio, onde ele não pode entrar. Tem que destruí-lo, se quiser chegar à toca do Escuro e renascer.
Pegou um coelho que teimava em pular e sumiu com sua irmão e o gato dela, no meio dos destroços do vilarejo.
- Não entendi nada. - disse Flávio, o adolescente.
- Tudo se resolverá. Não pense. Acredite. - disse o velho, com firmeza.
Ouviram um estrondo. Viram um exército de seres horrendos, vestidos com túnicas vermelhas, surgirem de todos os lados. Pareceram abrir caminho, então um homem bem pequeno e careca, de aparência grotesca, saiu do meio deles. Era Mordenkai, o demônio.
- Ora. Vejo que todos estão aqui. Que momento lindo!
- Quem é esse? - perguntou Oz.
Mordenkai riu. O jovem Flávio prontificou-se em responder.
- Ele é um demônio que me perturbou muito. Do seu passado.
- E do seu futuro. - disse F. - Ele e seu irmão Agat já permearam muito a minha mente. Quer dizer... A sua. Ele estava com Zo na sua morte.
- Morte? - indignou-se Oz. - Eu morri?
- No seu passado. Mas ainda não aconteceu. - disse o velho.
- Quê? Não tô entendendo nada!
- Nem eu. - disse o garoto.
- Ótimo. Confusão. Fica mais fácil. - bradou o demônio.
- Ele quer lhe manter morto, para que possa controlá-lo, como um parasita. - explicou a Oz o velho misterioso.
- E farei isso agora. - resmungou Mordenkai, já ficando com seus olhos vermelhos em chamas.
Os céus ficaram avermelhados e o ar extremamente frio. Oz sentiu um arrepio na espinha, mas não sabia o que fazer.
- Onde estão os espelhos que aquela mulher nos deu? - perguntou o velho.
Os quatro arrancaram um espelho cada de seus bolsos e ficaram em volta de Oz, enquanto Mordenkai se transformava bem diante dos olhos do sonhador, tornando-se num gigante medonho e assustador.
- Os espelhos de Amaterasu, rápido! - gritou F.
- Nada irá adiantar agora, hahahahaha. - gritou o demônio, que rapidamente tomou uma enorme lança de um de seus lacaios.
De repente, os espelhos começaram a brilhar intensamente, como quatro pequenos sóis e Mordenkai tratou de rapidamente golpear Oz para impalá-lo. Mas o demônio surpreendeu-se ao ver,após uma diminuição na luz, que todos os cinco estavam impalados. A lança atravessava o garoto, Fávio, Oz, F. e o velho, para deleite de Mordenkai. Porém, sua alegria durou pouco, já que todos os cinco começaram a brilhar e a queimar. O demônio ficou preocupado em vê-los em chamas, mas sentiu-se aliviado e vitorioso ao ver as cinzas de Oz e suas demais versões no chão. Agora ele definitivamente estava morto.
Do alto de uma colina, uma mulher observava a tudo, parecia ter a pele feita de luz.
- Agora chega de máscaras. É chegado o momento do fantasma sair da escuridão e ressurgir com o espírito que lhe é devido. - disse ela.
Mordenkai parou de sorrir. Pensou que alguma coisa não estava certa. Se Oz estava morto e ele vivia na mente de Oz, como ele ainda estava lá?




...termina no próximo post.

postado por Oz (The Dead) às 12:53 PM |

terça-feira, 8 de maio de 2007

Lucifer's Friend

"Aliás - descubro eu agora - eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria."
(Clarice Lispector - A Hora da Estrela)

Oz acordou, mas ficou na cama por um instante. Olhou para o teto branco. Sentiu-se indisposto, mas sabia que tinha que se levantar. Sentou na beira da cama. Olhou em volta. Móveis velhos já eram um banquete para cupins. Velhos livros que de nada lhe serviam abarrotavam as prateleiras. Alguns cds, algumas revistas, cadernos recheados de planos e devaneios, cartas - pensou se tudo aquilo não era lixo e perda de tempo. Sentiu-se como havia se sentido todos os dias já a algum tempo. Morto. Levantou-se e abriu a janela, deixando a luz lhe queimar a retina. Olhou lá fora. Pensou se estava se tornando um Forrester. Por que detestava tanto sair de casa? Sentiu-se fracassado. Olhou-se no espelho. "Atravesse o espelho." Pensou se os cacos de vidro não lhe machucariam.

Flávio sonhava. Era um adolescente que gostava mais de passar seu tempo sonhando do que vivendo a angústia da vida real. Tudo parecia uma lama negra. E Mordenkai estava lá, de pé, no topo de uma colina lamacenta.
- Venceu o medo e a ilusão, garoto.
- E agora vencerei o demônio.
- Um demônio é algo que não faz parte de você. Não é difícil me vencer... Mas somente se já tiver vencido a si mesmo. E o Escuro, a quem sirvo neste seu mundo insólito, está dentro de você. Eu vejo. Ele sim,é parte de você e reina dentro desse coração! Ele você não vencerá tão cedo, porque ele é seu espelho, seu reflexo, você ao contrário.
- Besteira.
O jovem partiu para cima do enorme ser de aparência grotesca, fazendo surgir uma lança do nada e impalando seu inimigo. Viu o demônio cair e queimar num fogo púrpura. "Vitorioso", pensou. Mas as chamas aumentaram e ele viu surgir no meio delas uma sombra. Um pequeno homem, careca e de aparência sombria.
- Destruiu um corpo que eu possuía, moleque. Mas ainda não pode matar um demônio!
Antes que retomasse a razão, Flávio foi golpeado pelas garras do pequeno demônio, que enfiou sua mão até atingir o coração. O jovem caiu no chão, estático.
- Te vejo daqui a 10 anos, garoto.
Acordou. Suava. Sentiu vontade de chorar. Depois daquela noite, as coisas só piorariam. Cortou o cabelo e tentou ser uma pessoa normal, mas sentia-se barrado por alguma coisa, sempre. Descobriu um jeito de livrar-se por um certo tempo de toda aquela angústia e trevas. Mudou de nome. Agora chamava-se Oz.

Seis dias haviam passado desde aquela estranha audiência e aquela estranha sessão de cinema com filmes sobre sua vida e F. sentiu uma ponta de medo do que poderia lhe acontecer, por mais que não acreditasse em todo aquele surrealismo que vinha tecendo sua vida.
- Tem que ouvir. Que acreditar! - disse o velho com o livro na mão, naquela noite.
Saiu. Foi até o velho e abandonado apartamento onde já havia morado. Estavam vendendo, mas o mercado não parecia estar favorecendo muito. Entrou e deu uma olhada pelas pareces um pouco judiadas pela umidade e para o chão coberto de pó. Caminhou até seu antigo quarto e olhou para o único móvel que ainda havia ali: um pequeno armário. Abriu e tirou de dentro uma caixa. Dentro, um monte de cinzas e papéis queimados. Fechou os olhos e colocou a mão dentro. De repente, sentiu-se queimar de dentro para fora e uma imensidão de trevas lhe cobriram a mente. Sentiu-se tonto e então perdeu os sentidos.

Oz perambulava pela sala vestindo roupas velhas e a barba por fazer. Ia da cozinha para o computador e vice-versa. Seus dias pareciam ser idênticos e intermináveis. Nada parecia lhe agradar. Sentia saudades do filho recém-nascido, mas não tinha forças para sair de casa e ir até vê-lo. Entristeceu-se por ter magoado a quem tanto amava. Sua falta de tato e bom senso havia afastado os poucos bons amigos que tinha. Se sentiu solitário. Ligou a TV. Um filme antigo de Billy Wilder. Mesma música que a ruiva cantou no final do filme de ontem. Lembrou dela. Sentiu-se idiota e ridículo. Precisava trabalhar, mas não sabia para que, não fosse apenas para manter o sustendo do filho. Pensou nos anos, na saúde, na cabeça infantil. Uma música começou a tocar. "Tonight is the end of your way." Sentiu-se estranho. Sabia o que era. Então, do nada sentiu uma pancada na alma, como se estivesse sendo arrebatado. Milhões de imagem lhe passaram pela mente em micro segundos. Tentou gritar, mas não conseguiu. Faltou-lhe o ar. Trevas. Caiu no chão, inconsciente.

Abriu os olhos e viu o velho com seu livro lhe olhando de cima. Virou-se e viu a si mesmo garoto, ao lado de um jovem de cabelos compridos e um homem de meia-idade. Todos eram ele.
- Bem-vindo, Oz. Viemos salvar você. - disse o velho.



postado por Oz (The Dead) às 9:05 AM |

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Over The Rainbow (What Goes Around Comes Around)

*aviso: bebi café demais hoje! =P

"Pois o seu escolher implica outros valores: A salvação, a sanidade de todo o seu reino e assim seu escolher é limitado pela voz e o aquiescer desse outro corpo de que ele é a cabeça"
(Hamlet - William Shakespeare)


F. cochilou, sem saber que teria uma noite de muitos sonhos intranqüilos.

O garoto parecia assustado, mas determinado. Olhou onde estava e viu-se num corredor de mato pisado, como se uma enorme serpente houvesse passado por ali. Na sua frente, o escuro. Manteve seu corpo frágil de pé e preparou-se. Podia ouvir seu mestre ao fundo.
- Lembre-se, é só um dragão.
- Mas o senhor disse que o dragão negro representava meu medo do que é maior do que eu... - disse o garoto, virando-se para o velho com seus óculos escorrendo pelo nariz.
Já vinha sendo guiado por ele a muito tempo, desde os tempos em que o velho era mais um dragão vermelho do que simplesmente um velho. Lembrou que certa vez perguntou quem ele era, de onde veio, e tudo que ouviu foi "sou só um homem de vidro num mundo de porcelana e alumínio". Odiava quando ele falava em enigmas. Mas não conseguia mais imaginar como tudo teria sido sem sua orientação.
Ouviu um estrondo. Voltou-se para o corredor. "O Escuro", pensou. Não era o Escuro, nem o Nada. Era somente o dragão negro. Seu medo dos medos.
- Lembre-se, garoto. É só um dragão.
Viu surgir diante de sim olhos vermelhos seguidos de um enorme ser de pele ônix. O bicho levantou-se e pairou sobre ele, bufando.

Flávio viu-se numa mata avermelhada e seca, diante da velha casa de madeira. "Estou aqui. Não estou?" - questionou-se. Viu quando ela começou a aparecer no meio da mata. Uma bruxa em longos vestidos negros, com longos cabelos negros. Sentiu-se frio e quente enquanto ela se aproximava. Sentiu-se num limiar. Ouviu vozes ao fundo. "Magia se manipula. O espírito não." O que era aquilo? De onde vinha? Pensou se a adolescência estava lhe enlouquecendo. Seus cabelos compridos caíram sobre os olhos quando olhou para o chão úmido coberto de folhas secas para ver se não estava voando novamente. Olhou para a bruxa. Val. Ela. Sentiu ela murmurando palavras de feitiço.

Oz tentou rir, mas não conseguiu. Não era todo dia que pisava por tijolos amarelos. Pensou no que haveria depois do arco-íris, mas antes que pirasse viu as belas árvores tornarem-se um sangue preto que escorria pelo cenário lúdico. A estrada se dividiu em dois caminhos, e pode ver um velho sentado numa cadeira numa delas. Em seu colo, o livro. Percebeu quem ela era e sorriu.
- Morra, para renascer. - ele disse.
Oz olhou para o outro lado e viu um outro velho se aproximando. Parecia uma espécie de rei, de líder de algum lugar.
- Venha para Esmeralda. Poderemos ser dois com o mesmo nome reinando ali. Renda-se a cidade e ao seu esplendor. Aceite e seja mais um de nós.
- Esmeralda? Não seria somente um vidro verde?
O semblante do velho mudou. Se irritou.

F. viu-se no topo de uma enorme plataforma. Lá embaixo deslumbrava um exército de robôs matando pessoas. Percebeu que estava sangrando e que seu sangue borbulhava. tentou chorar, mas seus olhos se voltaram para o centro da batalha, onde uma mulher e um pequeno bebê estavam cercados por máquinas assassinas. Pensou em intervir, mas soube que não deveria fazer nada. A criança fechou os olhos e então uma explosão de luz, cegando e queimando tudo à sua volta. Sentiu-se queimando e virando cinzas.
- Morrer para renascer. - ouviu uma voz infantil dizendo.

O garoto olhou bem nos olhos do dragão ônix enquanto ela preparava-se para o bote. Então, como se a serpente não esperasse por isso, o garoto golpeou o peito do animal com toda força, enfiando a mão dentro dele e puxando logo em seguida, trazendo entre seus dedos um enorme coração preto como piche. Olhou novamente para os olhos do dragão, que relutava em acreditar.
- O coração do medo está em minhas mãos. O passado muda, o Escuro enfraquece... Você é só um dragão...
Então, sem pestanejar, fechou a mão com toda força que um garoto em terras fantásticas pode ter. O coração espatifou-se e virou cinzas. O dragão queimou e sumiu, mas sua chama botou fogo na mata seca em volta. O garoto viu o velho sumir como fumaça depois de proferir palavras proféticas:
- Esse é só o primeiro obstáculo, criança.
A chama começou a consumir tudo à sua volta.

A bruxa levantou seus braços para enfeitiçar, mas Flávio foi mais rápido, puxando de si um punhal e acertando o peito dela em cheio. Sem acreditar, ela caiu de joelhos, em agonia.
- Mas... Estava escrito...
- Estou reescrevendo, bruxa.
E viu o passado cair morto pelo futuro. A bruxa estava morta.

Oz desviou do cetro do velho que governava a cidade verde e estendeu a mão em direção a ele. O velho começou a pegar fogo, como mato verde que faz muita fumaça e intoxica o ar.
- Oz mata o mágico. - disse o outro velho, sentado na cadeira. - Dorothy terá que encontrar outro jeito de voltar para casa...
Oz ficou sem ar e viu tudo escurecer.
Ambos caíram mortos no chão amarelo.

O garoto não parecia se preocupar com as chamas. Deixou-se queimar.
"Morrer para renascer", pensou.

O jovem Flávio estranhamente sentiu-se morrendo quando viu a bruxa caída ao chão. Quis chorar, mas sabia que nada mais poderia ser feito. Ela estava morta.

A explosão de luz incinerou os pensamentos de F. e ele despertou do sono. Precisava sair. Cine Marabá, 19hs.

F. ainda não pensava em processo, nem em ser feliz. Apenas sabia que sua família era sua escolha. Trancou-se no quarto e pegou tudo que podia sobre ela. Botou tudo numa caixa e saiu. Foi até um terreno baldio, botou a caixa no chão e encharcou-a de querosene. Ateou fogo. Viu tudo queimar. Sentiu-se queimar. Era como se estivesse matando-a. "Morta. Agora ela está morta!" Chorou, como um amante num velório. Sentiu-se morrendo pela milésima vez.
"Morrer para renascer", pensou.

O velho parecia apenas observar o olhar de F. Estavam apenas os dois no cinema, mas F. não parecia disposto a expressar suas emoções. Havia decidido isso anos atrás.
- Lembra dessa cena? - perguntou o velho, enquanto o maduro F. assistia a cena da cremação de sua velha vida na tela.
- Eu a matei. Ela morreu. Essa vida não existe mais.
- Já ouviu falar no mito da Fênix? Às vezes o que vai volta. Às vezes por que é assim que devem ser as coisas, às vezes por que queremos, às vezes por que precisamos...
F. olhou para o velho, silenciosamente.
- Você é do futuro, não é?
- Isso importa?
Olhou para a tela.
- Isso é um chamado?
- Só se chama quem ouve.

postado por Oz (The Dead) às 10:50 AM |





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Perfil

Dead Oz é um zumbi filósofo alienado, como tantos outros que vagam pela Terra, à procura da ressurreição, comendo, bebendo, trabalhando, perambulando entre pingüins e tendo a energia drenada por alieníginas conspiradores pela Internet. Um maluco tentando recuperar um pouco da fantasia que todo mundo parece ter perdido...


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visitas

"Sitting on a park bench
Eyeing little girls with bad intent.
Snot is running down his nose
Greasy fingers smearing shabby clothes.
Hey aqualung!
Drying in the cold sun
Watching as the frilly panties run.
Hey aqualung!
Feeling like a dead duck
Spitting out pieces of his broken luck.

Sun streaking cold
An old man wandering lonely.
Taking time
The only way he knows.
Leg hurting bad,
As he bends to pick a dog-end
Goes down to the park and
Warms his feet.
Feeling alone
The army's up the road
Salvation a la mode and
A cup of tea.
Aqualung my friend
Don't ya start away uneasy
You poor old sod
You see it's only me.

Do you still remember
December's foggy freeze
And the ice that clings on to your beard
Is screaming agony
And you snatch your rattling last breaths
With deep-sea diver sounds,
And the flowers bloom like
Madness in the spring."